terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo no Atacama

Embarcamos no dia 26 de dezembro via Buenos Aires e Santiago para San Pedro de Atacama. Tínhamos expectativas, curiosidade e uma vontade enorme de conhecer o deserto, afinal nem eu nem Fefe tinhamos ido a um. Além disso,depois de um ano de trabalho pesado, coisas muito boas, mas também bastante cansaco, queríamos um lugar como este, para relaxar a cabeça e não necessariamente o corpo.

Já no vôo Santiago-San Pedro conhecemos a Vie, uma Holandesa bem simpática, que foi diretora de atendimento de agências em Amsterdam por muitos anos e hoje em dia tem uma consultoria de Reputation Management, nunca tinha ouvido falar e achei super interessante. O marido, Edo, tem uma empresa de design muito bacana, a qual Fefê já conhecia de nome. Marcamos drinks para o dia seguinte e fomos para o nosso hotel.

Uma hora de traslado e lá chegamos nós, no Poblado kimal. Absurdamente bem localizado, tem um hotel com quartos e na frente o Poblado, que é uma espécie de vila com chalés, onde ficamos. Bem bonitinhos, banho bom, limpos, decorados sem nada muito fancy mas bastante decente, com uma varanda deliciosa e sem tv ou acesso a internet no nosso quarto especificamente. O que achamos ótimo.
Jantamos, e fomos a agência de turismo indicada programar o nosso primeiro tour, no dia seguinte. Nossa idéia desde o início era decidirmos cada dia o que faríamos no dia seguinte, de acordo com a nossa vontade e pronto. Funcionou super bem do comeco ao fim.

- (Fefê começará a escrever comigo apartir de agora) -

Cansados da longa viagem e com a noite caindo no deserto fomos em busca de nosso passeio para o dia seguinte.
Lagunas Altiplanicas seria o nosso primeiro destino com a Altiplano Aventura, agência escolhida por nós.
Jantamos no proprio restaurante do hotel. Pisco Sour, chupe de raiba e a gostosa cerveja Kustmann Miel. Doce mas muito interessante. Já alimentados e bastante cansados voltamos para o quarto para dormir. Dia seguite começaria cedo.

Na manhã seguinte lá estavamos nós na frente do nosso hotel esperando pelo Tour. Pontualmente às 8:00 a guia apareceu para nos buscar. O passeio foi muito interessante, nada magnífico comparados com os que viriam adelante, mas um visual incrível dos lagos enormes em meio a montanhas. Uma cor única. Antes das lagoas passamos por uma pequena vila de, lugar onde vivem mineiros que trabalham na extraçao de Litio, que alimenta as baterias e pilhas. Depois passamos por um salar sem tanta graça, onde se podia ver Flamingos cor de rosa. No big deal.


Na subida até as lagoas paramos por Toconao, cidadela paupérrima onde nossa guia encomendou nosso almoço, que deixarei que a Leti descreva.

A tal cidadela tinha meia dúzia de casas imundas, cheias de lixo em volta, medonha. Entramos morrendo de fome no tal restaurante do almoço. o cheiro de alho misturado com sei lá o que quase me fizeram vomitar. Not fun. Achei o lugar bizarro, com umas indias grosseiras e de mãos sujas servindo e suando em cima da comida. Mas não fizemos cara feia, sentamos, comemos e interagimos com a turma do tour. No final o problema era o cheiro e aparência, a comida nem era ruim.
Voltamos pro Pueblo depois de mais duas horas de estrada e dormimos o resto da tarde. Até a hora do jantar com nossos Dutch friends. Fomos no Adobe, rústico e delicioso. Comi pizza de Pêra com Camembert e Fefe comeu uma pizza Mediterrânea. Acho que estávamos com uma certa fome atrasada.

Vie e Edo se revelaram ótimas companias. Papo agradável, regado de Pisco Sours e vinho escolhido pela Vie. As ecolhas em geral eram feitas por ela, mas nada muito grave. Na manhã seguinte fomos ao Vale do Arco Íris. Tentamos uma nova agência de turismo. Mesmo com a van bem capenga e um guia seboso que não sabia nada, o passeio foi ótimo. O lugar é lindo. Paisagens incríveis e uma mistura de cores de tirar o fôlego. Bônus para um senhor Geólogo que pode explicar muito bem todas as formações das montanhas. Voltamos para o hotel e tivemos uma tarde de absoluto descanso. Jantamos pela primeira vez no Blanco, muito bom por sinal. Canelone de Quinoa para mim e Ceviche para a Leti. Pisco Sours e cerveja para embalar os sonhos. No dia seguinte reencontrariamos nossos amigos Holandeses.

Às 10h30 Vie e Edo passaram pra nos buscar. Um luxo de horário, só mesmo pra quem tem um 4x4 só seu, pois os passeios saem no máximo 9h da manhã ou às 4h da tarde em alguns casos.
Super divertidos, dirigiram até as Termas de Puritama. Um lugar que soubemos depois, é gerenciado pelo Hotel Explora, por isso tão caro e organizado. Incrível, ficamos numa das piscinas naturais de águas mornas, com a água e o astral absolutamente revigorantes, e ainda com um déque pra relaxar e fazer um pic-nic. Nossa amiga Vie passado um tempo (curto, na minha opinião) sugeriu seguirmos nosso passeio. E na verdade valeu a pena, encontramos um lago absurdamente lindo coberto de sal, lhamas, vicunhas e muitos flamingos. Lindo. Em seguida fomos rumo a uma cidadezinha chamada Machuca, são 20 casas e 5 habitantes, os homens do povoado trabalham em Calama ou em outros lugares longe dali. Voltamos calmamente observando a paisagem rumo a um descanso de final de tarde, pois às 21h tínhamos agendado o espetacular tour de observação do céu. Este vou deixar que o Fefê fale a respeito.

O tour das estrelas é absolutamente incrícvel. Primeiro por conta do céu deslumbrante de San Pedro de Atacama. Em segundo pelo talento do francês que conduziu o tour. Uma figura ímpar. Super carismático e inteligente deu explicações breves sobre o que iríamos ver e depois com uma versão turbinada dos lasers usados em apresentações nos mostrava com clareza todas as estrelas. Tínhamos a impressão que a luz que ele segurava poderia tocar as estrelas. Telescópios realmente potentes permitiam que víssemos de perto planetas, nebulosas, constelações como nunca antes havíamos visto. Além de 2 satélites que voavam sob nossas cabeças. Realmente incrível.
Ao final, chocolate quente e ônibus de volta para nosso hotel para um merecido sono.

Acordamos dia 30, nosso quarto dia no Atacama, com o Fefê do avesso. Se sentindo bem mal e decidimos passar o dia realmente descansando até nosso passeio às 16h pelo Valle de La Luna. Ele se recuperou bem e la fomos nós, dessa vez com um guia chamado Marcel. Um chato de galocha a fim de muita integração, e claro, achou a turma certa. Eram umas 15 criaturas de 20 anos de diferentes partes da América Latina, que falavam sem parar uns com os outros naquele clima de paquera (dizendo asneiras e rindo alto) e cantavam reggaetone (poucas coisas são piores que isso), funk é a quinta de bethoven se comparado. E claro, gritavam sem parar. Foi um verdadeiro suplício no início mas depois relaxamos. O valle de la Luna é maravilhoso, paisagens incríveis rochosas que não parecem mesmo da terra, com ruidos altos e assustadores que vem das rochas (por causa das rochas expandindo com o calor) e por fim fomos ver um por do sol sensacional do alto de umas dunas. Lindo realmente. Neste dia tomamos um último drink com a Vie e Edo e eles foram embora. Nos recolhemos cedo pois teríamos que acordar no dia seguinte às 3h da manhã para partirmos rumo aos Geisers.

Parecia que tinha acabado de fechar os olhos quando o despertador tocou. Eram 3:00 e la íamos nós. Roupas colocadas e já preparados para o frio que viria pegamos o nosso pic-nic que o hotel gentilmente prepara e enquanto aguardávamos para que a van nos buscasse conhecemos Kathryn e Marco. Um casal muito simpático que conheceriamos melhor mais adiante.
Fernando, nosso motorista naquela madrugada, chegou para buscar-nos e sentados no banco da frente da van começamos nossa jornada.
Uma estrada medonha e com um frio absurdo nos levou a quase 5000 metros de altitude. Senti um arrependimento profundo por não ter colocado as luvas na mala. Frio de -8 graus e os geysers já fumegando. Um belo espetáculo. Ficamos por lá algumas horas e com o sol nascendo o cenário ficou ainda mais bonito.
Na volta paramos novamente em Machuca onde encontramos uma cidade bem diferente. Cheia de turistas e com um nativo vendendo churrasco de Lhama. Claro que exprimentamos a iguaria. Carne bem saborosa e sem gordura. Poderia estar um pouco melhor passada mas estava boa. Novamente na van e la fomos nos de volta para San Pedro por uma estrada maravilhosa por onde haviamos viajado com Edo e Vie.
Almoçamos e tratamos de cair na cama, afinal era dia 31 e teriamos ceia de ano novo logo mais. Enquanto relaxavamos na varanda reencontramos Kathryn e Marco.

Conversamos bastante e combinamos que se eles acordassem, nos procurariam no restaurante onde iríamos ceiar. Bem descansados lá fomos nós, pois tínhamos reserva para às 21h30min. Havia um menu que escrito era mais bacana do que na prática. Pedimos ostras de starter, e vieram 3 unidades. Estavam ok. Depois de entrada, Centolla (que eu particularmente sou aluscinada) com quinoa, achei delicioso, bem diferente. O prato principal era um peixe qualquer com legumes, que estava um horror. Antes da sobremesa, nossos amigos Marco e kathryn apareceram, trocamos de mesa e esperamos as doze badaladas bebendo um vinho. Foi muito divertido, rimos bastante (o restaurante a essa altura já bombava com Salsas, Merengues e uma mistureba de ritmos). E o povo , é claro, quebrava tudo na pista. Por volta de 1h nos recolhemos felizes, após uma excelente comemoração de Ano Novo. Feliz 2011 pra todos nós!
Dia seguinte foi a minha vez de estar quebrada. O vinho naquela altitude (e nem tomei três taças) definitivamente não me bateu bem e foi outro dia que decidimos descansar até o nosso último passeio marcado das 16h às 21h30. Me recuperei bem e lá fomos nós.

Chegando a agencia de turismo descobrimos que o grupo para o passeio era de 30 pessoas! Imagine o pesadelo. Que aparentou ainda mais aterrorizante quando descobrimos que nosso guia/motorista era o semi-débil Marcel. Que bem que tentou uma integração entre o grupo mas pela graça de Dios não teve sucesso.
Debaixo de muito calor rumamos para Lagunas Cejas. Um local com 3 lagoas ultra salgadas. Com o calor e o cenário, inspirados caímos na água. Bem gostosa e com muito sal, o que nos fazia boiar sem esforço. Local mais civilizado do que imaginava. Quantidade ok de pessoas, sem muito barulho. Com muuuuuiiiito sal no corpo voltamos ao ônibus para mais uma parada para um mergulho. Um buracão no meio do deserto cheio de água. Lá fui eu para mais um mergulho para tirar o sal e me refrescar do calor. Leti prefiriu não entrar dessa vez. Próxima parada foi num dos cenários mais lindos da viagem. Um salar gigante que terminava num lago. Lindo, lindo. Sol se pôs em meio a um happy hour com Pisco Sour e batatas chips. Claro que com o Marcel exercendo sua idiotice no último grau. Voltamos em marcha extra lenta, chegando a San Pedro por volta de 22:00h. Banho e nosso último jantar, novamente na companhia de Marco e Kathryn estava por vir.

Jantamos com nossos amigos no Blanco e a comida novamente estava ótima. Foi uma excelente despedida desta viagem inesquecível. Sem dúvida um dos lugares mais lindos que já estive na vida, com um astral impressionante e uma energia que com certeza nos recarregou para 2011. Obrigada, meu Fefê, por novamente me proporcionar dias tão absolutamente felizes. Te amo e um 2011 maravilhoso pra nós.

Sim um dos lugares mais maravilhosos onde estive. Sem dúvida a companhia maravilhosa da Leti ajuda a dar cores ainda mais vibrantes a tudo, deixa os sabores mais intensos e o final de ano ainda mais mágico. Te amo!! Voltamos agora para um 2011 maravilhoso e absolutamente feliz. Exatamente como começou.
Feliz 2011 para todos.

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